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Entrevista
Por Pedro Gordo
on 29 Mar 2019 5:00 AM
  • TMS/WMS
  • Digital transformation
  • E-commerce
  • eLogistics

[Especial Gestão de Armazéns - Logística 4.0]
Algumas perguntas a Pedro Gordo, Supply Chain Business Development na Generix Group

1. O que é a logística 4.0 ou a Logística Inteligente?

A logística 4.0 deriva do conceito de Indústria 4.0, que representa a 4ª revolução industrial e que surgiu da possibilidade de conectar máquinas, produtos, pessoas, veículos, sistemas, através de tecnologias inovadoras, cada vez mais acessíveis e disponíveis para as empresas, como o software de gestão de armazéns e transportes. Nesta nova era de IOT, a Supply Chain assume-se como uma rede inteligente, onde todos os seus elementos interagem de forma organizada, para garantir uma eficiência, eficácia e nível de qualidade sem precedentes.

2. Como é que se distingue da Logística que seguiu o advento dos computadores?

A Logística 4.0 distingue-se claramente das fases anteriores pela autonomia, inteligência e capacidade de decisão que cada elemento pode assumir, interagindo com os restantes. Não mais necessitamos controlar as “coisas”. São as “coisas” que nos comunicam quem são, o que contêm, de onde vêm, para onde vão, o que pretendem fazer, etc.

3. Como é que materializa a visão "tudo conectado com tudo" dentro do armazém?

Tudo conectado com tudo” representa uma realidade que resulta da elevada capacidade tecnológica dos sistemas de informação implicados. A possibilidade de todos os elementos (produtos, contentores, suportes logísticos, equipamentos de movimentação, pórticos, veículos, etc.) conterem sensores inteligentes, que podem interagir com o seu ecossistema, em função de programação, é aliciante para a logística e para os armazéns. 

Por exemplo, ao invés de alguém identificar produtos em final de vida, são os próprios produtos que informam da sua aproximação. Ao passar por um pórtico, são os produtos que se autoidentificam (quantidades, referências, unidades, lotes, peso, volume, dimensões, etc.). Um empilhador ou AGV comunica a sua posição em permanência, recebendo tarefas de acordo com o local onde se encontra. 

Todavia, “tudo conectado com tudo” é um paradigma algo utópico, pois qualquer investimento carece de viabilidade econômica e não apenas da viabilidade técnica. Esta é uma dificuldade real, já que os investimentos associados à Logística 4.0 implicam volumes de atividade e capacidade crítica elevados, pelo que, sendo possível, adere pouco à realidade atual das empresas e da logística em particular. É um objetivo que deve ser olhado como um caminho a seguir.

 

4. De que forma a digitalização permite às empresas agilizar processos logísticos e obter mais valor?

 

A digitalização das empresas é um processo gradual, evolutivo, desejável, diria mesmo inevitável. Quem não iniciar o seu processo de digitalização, irá provavelmente passar ao lado do sucesso. 

O consumidor atual é informado, sabe o que quer, como quer, quando quer. As empresas têm que estar preparadas para este consumidor, que procura experiências e não somente comprar ao mais baixo preço, que procura um serviço logístico de excelência e que é menos fiel e permeável.

Digitalização é a resposta ao consumidor. As empresas devem definir um modelo de negócio novo, adaptado à nova realidade. Neste modelo de negócio, a presença on-line é fundamental, bem como a estratégia de comunicação, a convergência e consistência nos diferentes canais de negócio. Toda a estrutura da empresa tem que estar preparada para responder às interações com os clientes. Implica que os sistemas de informação estejam ligados, de forma que a logística responda de imediato a uma encomenda processada no ERP ou OMS - Order Management System.

 

5. Para além do software de gestão de armazéns e de transportes, que outras tecnologias pode trazer a Logística Inteligente?

As tecnologias IOT baseiam-se essencialmente em sensores dotados de alguma inteligência e capacidade de comunicação. Mas nas cadeias de abastecimento, é fundamental a existência de sistemas de consolidação, partilha e visibilidade, verdadeiros HUB’s de informação. 

Ao nível mais operacional, a crescente automatização tem um papel fundamental na execução, atingindo altos níveis de performance logística (sorters, conveyors, agv’s, mini loads, automated order picking) com níveis de erro muito baixos. A organização do transporte é gerida em TMS “abertos”, que permitem a interação On-Line com parceiros, o acompanhamento permanente da execução, um Track & Trace “on-Line”, até ao controle da entrega (Proof-Of-Delivery).

6. A Logística 4.0 vai eliminar o trabalho humano dentro do armazém?

Não irá eliminar o trabalho humano, mas irá reformulá-lo. As tarefas manuais repetitivas tenderão a ser substituídas por “mão de obra” automatizada, ao contrário das tarefas associadas a planejamento, decisão, gestão de exceção, personalização, I&D, entre outras, que nunca poderão ser automatizadas na totalidade. 

É muito provável que as operações logísticas de armazém venham a necessitar de menos operadores, mas mais qualificados.

7. De que forma pode este novo período para a Logística contornar dificuldades de hoje na entrega de encomendas, como por exemplo os custos associados à última milha do varejo?

O Last Mile é uma área onde a Logística 4.0 deverá desenvolver-se muito, sobretudo pelas muitas variáveis que tem de gerir, adicionando complexidade ao volume habitualmente existente. 

A possibilidade de interação entre as mercadorias e os seus destinatários é uma área de intervenção prioritária, pelo impacto positivo simultâneo na satisfação do cliente e na redução dos custos logísticos. Por exemplo, a possibilidade da encomenda informar o destinatário onde está, alertar para um atraso ou qualquer outra incidência e de tomar decisões no caso de falta de resposta do destinatário, ou de uma indicação sobre uma alternativa de entrega.

Por outro lado, assumindo a transferência parcial de decisões, inteligência e autonomia para as “coisas”, torna-se fundamental investir em ferramentas de visibilidade, que permitem uma melhor supervisão e coordenação, bem como na medição de performance. Esta abordagem irá permitir reduzir os custos, sem sacrificar o nível de serviço e satisfação do cliente.

8. Num contexto de e-commerce, quais são as vantagens para o cliente de uma logística mais conectada?

Reconhecidamente, o serviço logístico faz parte da experiência de compra de qualquer e-shopper. A flexibilidade na escolha da forma de entrega, o acompanhamento do processo e o cumprimento do prazo são fundamentais para que o cliente fique satisfeito e volte a comprar. 

O e-retailler que assegurar uma logística mais conectada, assegura que os seus clientes acompanham a encomenda on-line, que são informados de qualquer alteração ou incidência, podendo intervir de forma rápida e fácil no processo.

9. O futuro deste setor é um de maior autonomia a nível de vários componentes logísticos. Como é que a Generix Group vem se preparando para a logística 4.0?

A Generix Group é um produtor de software para a Supply Chain, com mais de 30 anos de experiência, que está presente em mais de 40 países no mundo. Intimamente ligados ao varejo, às grandes indústrias CPG e à comunidade 3PL/4PL, a Generix Group acompanha as preocupações, prioridades e necessidades dos seus clientes. 

Há vários anos que a Generix Group tem vindo incorporar as mais recentes tecnologias nas suas soluções. Atualmente, a Generix disponibiliza uma oferta única denominada SUPPLY CHAIN HUB, que consiste numa plataforma SaaS para a Suply Chain. Esta solução única integra com dispositivos RFID, com AGV’s, equipamentos de movimentação autoguiados, automatismos (sorters, miniloads, goods-to-man, etc.), assumindo-se como a solução Generix para a Logística 4.0.

Pedro Gordo

Supply Chain Business Development